quarta-feira, 1 de agosto de 2007

ROSAS

ROSAS
(Para Ísis e Jamile, quando ainda éramos três...)


Duas rosas plantadas no jardim do destino
De um vagante e perdido rapsodo.
Vindas de eras longínquas,
Do eterno renascer universal.
E caminharão na estrada sem fim:
Em cósmica união fundidos.

PROTÓTIPO PROPOSTO QUASE POÉTICO

PROTÓTIPO PROPOSTO QUASE POÉTICO


Ao claro da dama do céu
Passa na via da urbe um auto
Com dois sexos no interior

Num ponto ermo vem o furor
Onde não há pureza nem o casto
Nas vistas do universo sem ter véu

E na tampa férrea acontece
O encarnado dos corpos atados
Natureza sendo ali somente

Sem Sexo


SEM SEXO
Para B....

Há um desejo
Vontade de carne na carne
De uma noite longa
Necessito de boca na língua
Vem uma ânsia de baixo
Transformar corpo em gozo
Fluir

AUSÊNCIA ETÍLICA


AUSÊNCIA ETÍLICA


Necessidade etílica não satisfeita
E a cabeça não se encaixa
E o mundo não gira
E a vida não é sentida.
Perambulando em mim
Na noite da sobriedade
Numa caça por êxtase
Sem fogo
Nem luz.

12/08


12/08


Eu nu
Estripado
No canto da sala
Buscando o cerne
De mim

Descer pelo desejo

DESCER PELO DESEJO



Foco
O
Fogo
Em
Mim
E
Fico
Perto
Do
Fim

VISÃO DE SOBRAL A PARTIR DO ALTO DO CRISTO

VISÃO DE SOBRAL A PARTIR DO ALTO DO CRISTO

Do alto do monte avisto o disforme vale,
Tal qual colcha de retalhos.
Não todo, só ao centro,
Onde vivem universos muitos
Em contato corpóreo cotidiano.
Ao redor o verde horizontal,
Inexplorado, virgem, abismal.
Ao fundo, o muro do quintal
Onde estão enchiqueirados esses bichos.
Muro alto, verde...
Vejam, vocês todos, quão míseros são,
Pois diante da imensidão do mundo,
O acidente visual que causam
Tapo com a palma da mão...

Arte Política

ARTE POLÍTICA


Arte ingrata essa de representar...
Não a arte dos palcos
E sim essa arte de poucos,
Que seduz os tolos,
Que enche o bolso dos donos.
Donos da lábia barata,
Donos de carros novos.
Donos da vida dos outros...
(menos da vida que é minha)

RETRATO DE UM MOMENTO

RETRATO DE UM MOMENTO



Passa a noite,
Forte inanição
Jogos eletrônicos
E um peito vazio.
Em algum lugar da urbe
Um homem na calçada, pensa.
E eu nada faço.
E os outros sofrem...
Nada faço.
Cadê o Todo-Poderoso?

MUSA


MUSA
Para Terezinha Parente


Com estas quer cantar
Para tão terna musa sertaneja
Um pequeno poeta incógnito
Que traz em recordos
De sua era infantil
Tardes que esteve ao seu lado.
Onde tu palavreavas para o menino
Com melodiosa voz
Que o arrebatava para além de tudo.
E este que agora é homem
E em incertas estradas abertas
Já inicia sua prole
.

Às aves do céu pudesse pedido fazer agora
Seria que todas em coro
Cantassem: “Terezinha!”

Não há quem te olvide um dia
E em calmarias de noites insones
Amantes lembraram teu nome
Tuas letras, tua ternura
E tua saga de fortaleza-mulher

DEPOIS DA NOVA BOMBA


DEPOIS DA NOVA BOMBA






A dança nefasta de um bebê disforme
Formando sombras e furúnculos no chão
Chamando os mortos de outrora
Ouvindo a não-resposta
Estando os homens escondidos
Doidos em buracos fundos
Findando suas vidas banais
Brincando com a dama negra
Negados de entrarem na porta
Portadores das chagas atômicas
De antes de ontem