quinta-feira, 4 de outubro de 2007

NOITES SEM TI

Noites Insones
vaguei sozinho e sem rumo
Perdendo-me nas esquinas
Caindo em tabernas
onde bebi tua falta
onde chorei minha derrota
Quanto mais andei
a noite tingiu-se de dor
na cabeça a doença do peito
e nas calçadas meus passos tristes

TÃO LONGE DAQUI...

Sonha minha criança
a Cuca não vai te pegar
E em algum lugar
embaixo do céu
procuro por você
Enquanto molha o dedinho no mar
morro de saudades
Na serra ou no sertão, solitário
O meus-teus olhos tão vivos
E tua fala que baila
E meu peito lacunado
Sonha meu bebê
Que daqui o papai te espera

(Para o grande amor da minha vida, minha filha Ísis, que mesmo longe, está comigo)

UMA VIAGEM

Na cinza do meu cigarro
Queimo a tristeza que me cerca
Mato a fome que me abala
Perco o sono que não tinha
Na fumaça que sobe
Eu vou meio lúcido
Chego na extratosfera
E volto
Queda livre
Volto
Terra
Chego
Pulmão
Manchas
Mente
Livre

27-09-07

Esta ausência que me mata...
Fico com a mente fixa
em tua lembrança
Vagas visões de tua face
e um forte cheiro do teu corpo
ainda em mim
um pouco do que fomos nós
Passa o dia
e já são quatro meses
sem beijar teu sorriso
e ter suas mãos a me acalmar

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

ROSAS

ROSAS
(Para Ísis e Jamile, quando ainda éramos três...)


Duas rosas plantadas no jardim do destino
De um vagante e perdido rapsodo.
Vindas de eras longínquas,
Do eterno renascer universal.
E caminharão na estrada sem fim:
Em cósmica união fundidos.

PROTÓTIPO PROPOSTO QUASE POÉTICO

PROTÓTIPO PROPOSTO QUASE POÉTICO


Ao claro da dama do céu
Passa na via da urbe um auto
Com dois sexos no interior

Num ponto ermo vem o furor
Onde não há pureza nem o casto
Nas vistas do universo sem ter véu

E na tampa férrea acontece
O encarnado dos corpos atados
Natureza sendo ali somente

Sem Sexo


SEM SEXO
Para B....

Há um desejo
Vontade de carne na carne
De uma noite longa
Necessito de boca na língua
Vem uma ânsia de baixo
Transformar corpo em gozo
Fluir

AUSÊNCIA ETÍLICA


AUSÊNCIA ETÍLICA


Necessidade etílica não satisfeita
E a cabeça não se encaixa
E o mundo não gira
E a vida não é sentida.
Perambulando em mim
Na noite da sobriedade
Numa caça por êxtase
Sem fogo
Nem luz.

12/08


12/08


Eu nu
Estripado
No canto da sala
Buscando o cerne
De mim

Descer pelo desejo

DESCER PELO DESEJO



Foco
O
Fogo
Em
Mim
E
Fico
Perto
Do
Fim

VISÃO DE SOBRAL A PARTIR DO ALTO DO CRISTO

VISÃO DE SOBRAL A PARTIR DO ALTO DO CRISTO

Do alto do monte avisto o disforme vale,
Tal qual colcha de retalhos.
Não todo, só ao centro,
Onde vivem universos muitos
Em contato corpóreo cotidiano.
Ao redor o verde horizontal,
Inexplorado, virgem, abismal.
Ao fundo, o muro do quintal
Onde estão enchiqueirados esses bichos.
Muro alto, verde...
Vejam, vocês todos, quão míseros são,
Pois diante da imensidão do mundo,
O acidente visual que causam
Tapo com a palma da mão...

Arte Política

ARTE POLÍTICA


Arte ingrata essa de representar...
Não a arte dos palcos
E sim essa arte de poucos,
Que seduz os tolos,
Que enche o bolso dos donos.
Donos da lábia barata,
Donos de carros novos.
Donos da vida dos outros...
(menos da vida que é minha)

RETRATO DE UM MOMENTO

RETRATO DE UM MOMENTO



Passa a noite,
Forte inanição
Jogos eletrônicos
E um peito vazio.
Em algum lugar da urbe
Um homem na calçada, pensa.
E eu nada faço.
E os outros sofrem...
Nada faço.
Cadê o Todo-Poderoso?

MUSA


MUSA
Para Terezinha Parente


Com estas quer cantar
Para tão terna musa sertaneja
Um pequeno poeta incógnito
Que traz em recordos
De sua era infantil
Tardes que esteve ao seu lado.
Onde tu palavreavas para o menino
Com melodiosa voz
Que o arrebatava para além de tudo.
E este que agora é homem
E em incertas estradas abertas
Já inicia sua prole
.

Às aves do céu pudesse pedido fazer agora
Seria que todas em coro
Cantassem: “Terezinha!”

Não há quem te olvide um dia
E em calmarias de noites insones
Amantes lembraram teu nome
Tuas letras, tua ternura
E tua saga de fortaleza-mulher

DEPOIS DA NOVA BOMBA


DEPOIS DA NOVA BOMBA






A dança nefasta de um bebê disforme
Formando sombras e furúnculos no chão
Chamando os mortos de outrora
Ouvindo a não-resposta
Estando os homens escondidos
Doidos em buracos fundos
Findando suas vidas banais
Brincando com a dama negra
Negados de entrarem na porta
Portadores das chagas atômicas
De antes de ontem


terça-feira, 29 de maio de 2007

ABANDONO

(Em homenagem a autora de tal)

Saiu e me tirou a paz,
Deixou a amarga lembrança,
Levando o pouco que era EU.
Enaltecendo o que é ela?

PARA UM AMIGO

Você já viu o sol?
De perto ou longe?

Você já sentiu dor?
De cabeça ou de amor?

Você já usou?
Cannabis ou álcool?

Você alguma vez
Já se preocupou com um amigo
Ou consigo?

Você já deu um ombro
Uma mão
Um abraço
Um beijo
Um trocado
Um recado
Para um amigo?

Quem é seu amigo?

DEPOIS DA NOVA BOMBA

A dança nefasta de um bebê disforme
Formando sombras e furúnculos no chão
Chamando os mortos de outrora
Ouvindo a não-resposta
Estando os homens escondidos
Doidos em buracos fundos
Findando suas vidas banais
Brincando com a dama negra
Negados de entrarem na porta
Portadores das chagas atômicas
De antes de ontem


Helder Mello

A TV

A necessidade televisiva dos lares
Assombroso índice de dependência
São Faustos e Augustos (lixo!)
Invadindo as salas
Aos domingos
Dias santos
Dias iguais
Feriados nacionais
O que fazer para fugir?
Um pontapé ou tijolada no vidro?
Um clique não resolve
O dedo não obedece
A cabeça não funciona
Ou quebra a tela
Ou gela no sofá

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Desespero no Coração de Um Homem Distante

O rosto no espelho a fazer a barba já não é mais o mesmo.
Noutro tempo cheirava a leite.
A pele macia de antes o dera visões positivas de um futuro promissor.
A ressaca de uma noite longa e mal dormida refletia na sua face uma dormência alcoólica
E uma maciez exuberante no dia seguinte...
E ao mesmo tempo, uma recordação picante de garotas conquistadas o fazia feliz.
Tempo que saia de mãe era abrigo; bolso de pai, corrimão;
E ombro de amigo, corrimão também.
O homem que tinha o abrigo quente
Tinha o coração frio e o pulso de ferro.
Até então, nenhum ímpeto de matar ninguém.
Hoje, a realidade da desgraça mundial e humana o deixa triste.
A realidade da impotência diante das injustiças também...
Desespero no coração de um homem distante!
Tal homem que é feliz enquanto dorme.
Quando acorda sente a dor da vida penetrar-lhe na carne.
Deseja a seus filhos o que ter não pôde, a paz espiritual...
O homem que luta sozinho no mundo
Desabitado de Amor e de Justiça aprendeu a chorar.
Mas não cansa, corre atrás;
Pois é tarde, e seu coração de homem está corroído pelo ódio...
Os nervos de um homem de ódio se tremem...
A raiva o faz ter alucinações de noite.
Ele não tem medo da morte, mas sente pavor do ridículo.
Ele odeia o escárnio de outros homens,
Está com o pulso ferido e precisa de ajuda...
Precisa da brisa fria pra compensar o ódio do coração.

O homem que não perdeu nada,
Mas que também nada ganhou, só é feliz enquanto dorme...
O homem de pulso ferido é corajoso,
Não tem medo da morte;
Desafia o escárnio e a bazófia de outros homens.
O ódio que sente, o faz ter calafrios de noite.
Não pensa em morrer... Ainda!
Só pensa em dormir...
Espera que no outro dia acorde com mais energia e força
Pra encarar o vexame de ser humano de século 21.
(Continuação)
O homem que corre atrás do que o enfraquece
Foi ferido no pulso e no coração.
O seu pensamento, que o persegue todas as noites,
Feriu o seu coração de homem...
Ele é bravo e luta com seu pulso ferido
Contra seu pior inimigo,
E que habita em sua própria mente:
O seu próprio pensamento...
Achará um dia que a morte é o sono
Que não conseguiu dormir hoje!
Oliveira Reis

terça-feira, 24 de abril de 2007

VISÃO DE UM NOVO MUNDO

VISÃO DE UM NOVO MUNDO
(Relatos de um ser Non-Sense)

Eis a gota de sangue caída no asfalto
Está fria, fétida,
Como lembrança mal-lograda de um tempo ‘loco’
Tempo em que o homem era rei
Que a natureza era existente e bela
O oposto total do hoje
Onde só memórias povoam a terra
Terra que foi casa
Sendo agora esconderijo
De homens-ratos, homens bichos
Homens-merda-nenhuma
Causadores do caos
Criadores desse trânsito catastrófico
Onde não há carros
Só caos
E casas que não abrigam mais esperanças
Que servem de túmulos para os sonhos
Sonhos inexistentes das noites mal dormidas
Abaladas por barulhos mudos
Gritados das almas ocas
Dos corpos cheios de chagas atômicas
As ruas exalam cheiro podre
Das vidas petrificadas e castradas
Das vidas ceifadas e nascituras
Da vida e da morte
E dá morte, muita morte
Talvez um dia volte harmonia
Talvez esse dia não chega
Talvez nunca tenha existido
Talvez eu não existo
Talvez esse futuro que vejo não exista
Talvez futuro nenhum exista.
Helder Mello